A soja colocou Sorriso no mapa

"A soja sempre esteve em primeiro lugar, ma s muitos estão de olho no milho e no algodão, desde o temp o do arado de tração animal" Argino Bedin, proprietário das fazendas Santa Anastácia e Lagoa Vermelha

A cidade que se transformou na maior produtora do grão dourado, no País, agora também quer infraestrutura para ser referência em produtividade por hectare

Sorriso é uma cidade que não tem aeroporto. No entanto, o tráfego de aviões agrícolas é grande, especialmente, no período da safra de grãos em Mato Grosso. O Estado é o segundo maior do País em número de aeronaves particulares, são 964 aparelhos, e parte deles está em Sorriso. Quem sobrevoa a cidade em alguns desses aviões vê ruas largas, muitas árvores, casas com grandes varandas e nenhum prédio comercial com mais de três andares. Sorriso, dona do melhor IDH de Mato Grosso, um dos 200 municípios brasileiros com melhor qualidade de vida, é um aglomerado de construções de alvenaria, ruas pavimentadas e amplas avenidas com canteiros ajardinados (seu plano diretor é de autoria do arquiteto paranaense Jaime Lerner), água tratada e energia elétrica em 100% das residências, rodeado por um mar de soja que cobre as terras a perder de vista.

Nem sempre foi assim. Na década de 1970, Sorriso era uma pequena agrovila, perdida no cerrado matogrossense, infestada de mosquitos, quente, sem salubridade. Atraídos pelas promessas de uma vida melhor, feita pelo governo militar, centenas de agricultores pobres da região Sul do País, venderam seus minifúndios, desfizeram-se de seus bem e migraram para lá em busca de uma vida melhor. Um desses pioneiros atende pelo nome de Argino Bedin e testemunhou a dizimação pela malária de muitas famílias que apostaram no futuro em Sorriso, isoladas e abandonadas à própria sorte. “Quando me mudei para cá, há 32 anos, era muito fácil ficar ilhado, sem comunicação com o resto do País”, afirma Bedin.

Graças à persistência de gente como Bedin, que não esmoreceu diante das dificuldades, Sorriso, localizada a 412 quilômetros da capital Cuiabá, transformou-se numa cidade que abriga uma população de 66 mil habitantes. Na safra 2010/2011, foram colhidos dois milhões de toneladas de soja, o equivalente a quase 3% da produção nacional do grão, movimentando pelo menos R$ 1 bilhão. Não por acaso, portanto, desde 2003, Sorriso é o município que mais produz soja no País, segundo a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). A novidade, agora, é que os 600 sojicultores do município querem vencer um novo desafio, o da produtividade. Além de serem os maiores em volume de soja produzida, eles querem ser os melhores em quantidade de soja por área plantada, passando das atuais 62 sacas de 60 quilos por hectare, para 74 sacas por hectare, um crescimento de 20%. Só para comparação, a média de produtividade da soja cultivada no Brasil, na safra passada, foi de 50,8 sacas por hectare, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). “Estamos prontos para a missão de produzir mais soja”, diz Bedin. “Para isso, investimos em sementes de qualidade, além de máquinas de última geração.” O desafio da produtividade empolga companheiros como Adelar Gonzaga Corradi, que também saiu do Rio Grande do Sul, passou pelo Paraná, e chegou à cidade com idêntico sonho. “É pra já”, afirma Corradi.

Revista Dinheiro Rural