Borracha na fonte

O cultivo de seringueiras tem se consolidado em regiões de São Paulo que antigamente serviam ao cultivo de grãos. Nos campos do noroeste, onde está concentrada a maior área plantada com a árvore, a Expedição Safra Gazeta do Povo conferiu o processo de extração do látex, matéria-prima utilizada na fabricação da borracha. Espalhados por todos os lados, os seringais mostram-se até mais rentáveis, no longo prazo, que lavouras de soja e milho ou plantações de cana-de-açúcar ou laranja. Em Cosmorama, a produção de borracha tem atraído novos investidores, revela Saulo de Tarso, agrônomo da cooperativa Coacavo. “Depois dos oito primeiros anos, é possível ganhar cerca de R$ 30 mil por alqueire anualmente (R$ 12,4 mil por hectare). Mas o custo de implantação da floresta é alto”, pondera.

Cultura exige cuidados permanentes

Apesar de rentáveis, as florestas de seringueiras oferecem alto risco de incêndio. A casca que protege o látex em todo o tronco da árvore é altamente inflamável e causa explosões em casos de fogo, afirma o agrônomo Saulo de Tarso. “Uma floresta de seringueira fica horrível quando pega fogo. Lembra um cenário de guerra”, complementa. Para evitar esse tipo de acontecimento, os produtores têm molhado as copas e troncos das árvores em épocas de clima seco, principalmente no verão.

Dez anos…

…são necessários para que os seringais passem à frente da soja em lucratividade, dependendo, é claro, do clima e dos preços para a cultura de verão. A previsão é de que a demanda por borracha siga acima da produção por pelo menos uma década.

R$ 5,3 mil…

… são necessários para a implantação de um hectare de seringueiras, incluindo mudas e os tratos iniciais. Depois disso, o custo anual fica entre R$ 1 mil e R$ 2 mil por hectare. A coleta de látex começa a partir do sexto ano. Em dois anos, cobre-se os custos iniciais, com sobras.

Fonte: Gazeta do Povo – Paraná