Cachaça pode render bons negócios nos próximos anos

Cachaças de Paraty (RJ) já possuem Indicação Geográfica

Eventos como a Copa do Mundo devem fomentar a venda e a divulgação dos produtos artesanais

Dos 40 mil produtores de cachaça no Brasil, 99% são donos de empreendimentos de micro ou pequeno porte. Para incentivar a degustação da bebida certificada e prospectar mercado para esse produto brasileiro de qualidade, produzido artesanalmente, o Sebrae promove na próxima terça-feira (13/08) o seminário Pequenas Doses e Grandes Oportunidades. O encontro, em Brasília, tem parceria do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac).

A iniciativa, conforme o diretor-técnico do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, se insere no ambiente de negócios da produção associada ao turismo, em especial, a gastronomia, que terá forte impulso no país tendo em vista o fluxo de turistas em função dos grandes eventos como a Copa Fifa 2014 e as Olimpíadas. De olho nesse potencial, o evento colabora para tornar a cachaça mais conhecida, promovendo a melhoria da imagem do produto, interna e externamente. O Sebrae já vem trabalhando com derivados de cana de açúcar desde 2000, principalmente a rapadura, que como a cachaça é feita artesanalmente.

A ideia, explica o diretor do Sebrae, é promover a maior inserção dessa bebida no mercado, valorizando o produto também no exterior. A cachaça brasileira é comparada ao uísque; e com o grande fluxo de turistas nos próximos anos, a expectativa é reduzir as importações da bebida de origem escocesa. “Os produtores também estão empenhados na melhoria da qualidade da cachaça para garantir maior competitividade do produto brasileiro no mercado internacional”, observa o diretor do Sebrae.

Comércio Brasil

Das 33 marcas de pequenos alambiques de cinco estados, que serão divulgadas no evento, oito são de produtores fluminenses. Entre as marcas do Rio de Janeiro, estão a cachaça de Paraty, a única que possui Indicação Geográfica no Brasil. Esse registro obtido junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) garante a identificação de um produto como originário de determinada localidade, quando suas características são vinculadas essencialmente à região onde é produzida.

Pequenos alambiques de Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Paraná também levarão cachaças certificadas para apresentar a mais de 20 empresários de bares, restaurantes, hotéis e supermercados da capital do país. Durante o evento, será utilizada a metodologia do Comércio Brasil, projeto desenvolvido pelo Sebrae que conta com a presença do agente de mercado para aproximar produtores, distribuidores e compradores.

A instituição também desenvolve projetos em 11 estados voltados ao aprimoramento de outros derivados de cana, como o açúcar demerara ou mascavo. Entre os principais focos estão o acesso a mercados e o apoio à certificação por meio do programa Bônus Certificação, que subsidia até 50% dos custos desse processo para micro e pequenas empresas do setor.

Fonte: Globo Rural On Line