Confinamento mais caro limita pecuária

O custo de produção nos confinadores brasileiros de bovinos alcançou neste ano um dos patamares mais altos da história, puxado principalmente pela valorização das commodities agrícolas. Além disso, a forte valorização da alimentação do gado reduziu drasticamente a expectativa inicial de crescimento do rebanho confinado do País.

“Neste ano os grãos elevaram muito o custo de produção nos confinamentos. A conta ficou mais apertada. E este ano com certeza foi um dos mais caros que já vimos”, declarou o diretor da empresa Vera Cruz Agropecuária, com matriz em Goiás, Rodrigo Penna Siqueira.

Nos últimos dois anos o custo de produção, na região central do País, oscilava entre R$ 50 e R$ 55 para cada arroba de boi. Com a alta do milho, os valores registrados em estados como Goiás e Mato Grosso já ultrapassavam a casa dos R$ 70 por arroba, afirmou a Associação Nacional dos Confinadores (Assocon). “Normalmente o custo de produção para o confinador varia entre R$ 50 e R$ 55, e esse ano ficou uns 20% mais caro. Esse é um dos valores mais caros pagos pelo produtor na história”, disse Eduardo Alves de Moura, presidente da entidade, ao salientar que ao longo desta temporada, esse foi o grande desafio para o confinador.

Moura considerou que aqueles pecuaristas que trabalharam com vendas no mercado futuro acabaram fazendo bons negócios, fator que reduziu o impacto do custo. Esse foi o caso da Vera Cruz Agropecuária que garantiu preços mais elevados “em época de vacas magras”, acrescentou Siqueira. “Nós preferimos travar o preço do gado de julho até outubro a valores de R$ 96, enquanto a arroba seguia a R$ 90. Em novembro nós não travamos, pois os valores estavam subindo, e agora estamos vendendo bois a mais de R$ 100”, disse ele.

O impacto da alta do preço das commodities também foi sentido na oferta de animais confinados. Em seu primeiro levantamento para este ano, a Assocon previa que a quantidade de animais confinados saltaria 31% ante os volumes registrados no ano passado. Após a constatação dos custos mais altos, a expectativa agora é de uma alta muito mais modesta. “Com isso tudo, o avanço que aguardávamos no setor não será atingido. Se conseguirmos crescer 10% este ano está de bom tamanho. O Mato Grosso deve ampliar mais do que isso certamente, mas a média nacional ficará nisso”, aposta Moura.

O presidente da Assocon também revelou que sua expectativa para 2012 é que o preço do milho permanecerá elevado, a exemplo do que ocorreu em 2011, seguindo cotação ao redor dos R$ 19,00 a R$ 20,00 a saca de 60 quilos pagos à vista na região de Mato Grosso, porém, sem desconsiderar variações registradas em outras praças e preços mais elevados como a de São Paulo, Paraná e Goiás, regiões cuja saca do milho vem sendo cotada entre R$ 22,00 e R$ 29,00. “Acredito que em 2012 o cenário será o mesmo, tão logo o setor de confinamento deve seguir retraído”, comentou ele.

Na propriedade goiana o rebanho de gados confinados cresceu de 16 mil cabeças registradas no ano passado, para pouco mais de 20 mil este ano. Entretanto, caso o cenário de valores não se altere, o rebanho pode seguir os passos deste ano. “Já produzimos muito mais aqui, mais de 35 mil cabeças, mas os custos estão apertados e temos que esperar o mercado pagar mais para ampliar sem riscos”, disse o diretor da Vera Cruz.

Para tentar minimizar os altos riscos gerados pelos custos de alimentação para as agropecuárias de confinamento, a Assocon se reuniu com integrantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), para tentar criar uma linha de financiamento fixo exclusivo para os confinadores. “Existem financiamentos para fábricas de ração, e o confinamento é uma fábrica de ração, pois compramos muito milho, e insumos. E o volume investido em ração é muito alto. E para o setor pecuário seguir crescendo sem grandes expansões de área precisaremos de algum apoio governamental. Pois teremos que produzir mais carne em uma área menor”, comentou o presidente da Assocon.

Para ele, o confinamento é a opção para o Brasil produzir mais carne em uma área menor, a fim de suprir a demanda futura pelo produto. “O governo apoia muito a agricultura e pouco a pecuária. Queremos que essa linha esteja a disposição todo o ano para dar uma opção aos confinadores. O Brasil precisa dar opções para que os produtor agropecuários possam fazer planejamentos a longo prazo, não podemos fazer financiamentos para resolver problemas pontuais apenas”, finalizou Eduardo Alves de Moura. A quantidade de gados confinados no Brasil ainda é muito inferior aos gados a pasto.

Fonte: Correio do Estado