Custos elevados ameaçam produtividade do leite

Insumos estão mais caros enquanto preço pago ao produtor apresenta queda

Os custos elevados da produção de leite foram o principal assunto tratado na reunião da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), realizada este mês na sede da entidade, em Brasília. De acordo com os números apresentados, de junho de 2011 ao mesmo período deste ano os custos operacionais de produção aumentaram 13,98%, segundo índice da Embrapa Gado de Leite. Para agravar a situação, o preço do leite pago ao produtor caiu em torno de 6% no mesmo período analisado, de acordo com o IGPDI da Fundação Getúlio Vargas. Os altos preços de insumos como a soja e o milho, principais componentes da ração animal, foram apontados como os vilões da elevação dos custos de produção da pecuária leiteira.

Em Mato Grosso a produção leiteira é um dos principais focos da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato). O assunto foi tema da terceira edição do evento Famato em Campo, realizado no mês passado na fazenda Irmãos Santos, em São José dos Quatro Marcos, maior bacia leiteira do estado. No estado existem 20,9 mil propriedades leiteiras que produzem uma média de 92,6 litros de leite por dia. Mato Grosso responde por 2,3% da produção nacional de leite, ocupando a 10ª posição no ranking brasileiro.

Conforme o presidente da Comissão, Rodrigo Alvim, o aumento dos custos está diminuindo a renda do produtor de leite o que pode afetar negativamente a produção, uma vez que os produtores deixam de investir no trato do plantel. De acordo com o Índice de Captação de Leite do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (ICAP-L/Cepea), em Minas Gerais, principal estado produtor de leite no país, houve redução de 1,5% do índice em maio, o que já pode ser um reflexo do aumento dos custos de produção. No sul do país o ICAP-L/Cepea recuou em Santa Catarina e no Paraná, enquanto na Bahia a queda chegou a 4%. Em Goiás, no entanto, houve uma elevação de 3,6% do índice graças ao clima ainda favorável para o crescimento das pastagens.

Em relação à elevação dos preços da soja e do milho, nos últimos três meses a tonelada do farelo de soja aumentou cerca de 63% na região de Ponta Grossa (PR) e 36% em Uberlândia (MG). Já no período compreendido entre agosto de 2011 e agosto deste ano, o crescimento registrado nessas regiões foi de 97,17% e 124%, respectivamente. O milho, por sua vez, registrou aumento de 41% no preço da saca de 60 quilos, na região de Uberlândia, e de 42% em Rondonópolis (MT), no período compreendido entre junho e agosto deste ano.

Fonte: Gazeta Digital

Autor: Wisley Tomaz