Emissões de metano podem ser reduzidas com eficiência no manejo de pastagem

(*) por Paolo Antônio Dutra Vivenza

Grande parte das emissões de metano de origem entérica é proveniente de bovinos criados extensivamente em pastagens degradadas. Esse panorama gera ineficiência ao processo produtivo e acarreta em emissões de metano por unidade de produto de origem animal produzido (Guimarães Jr. et al., 2010). Dentre as alternativas para redução na emissão de GEE pela pecuária destaca-se o investimento na recuperação de pastagens degradadas.

De acordo com o relatório da FAO (2006), as pastagens (nativas e cultivadas) representam a segunda maior fonte potencial global de sequestro de carbono (C), com capacidade de drenar da atmosfera 1,7 bilhão de toneladas por ano, estando atrás apenas das florestas, cuja capacidade estimada chega a 2 bilhões de t de C por ano.

O uso de práticas adequadas de manejo de pastagens, sobretudo de reposição da fertilidade do solo, possibilita o acúmulo de C no solo a uma taxa de 0,3 t de C/ha/ano (IPCC, 2006), o que equivale a 1,1 t de CO2/ha/ano. Esse valor, bastante conservador, seria suficiente para anular cerca de 80% da emissão anual de metano de um bovino de corte adulto, estimada em 57 kg (IPCC, 2006), que equivale a 1,42 t de CO2 (57 kg de CH4/ano x 25 potencial de aquecimento global do gás = 1,42 t de CO2-Eq).

Portanto, pastagens produtivas e manejadas adequadamente, além de propiciarem condições favoráveis para aumentos significativos no desempenho animal e índices zootécnicos, também podem absorver grande parte do carbono emitido pela atividade pecuária, tornando-se elemento importante no balanço de GEE (Guimarães Jr. et al., 2010). Áreas de pastagens bem manejadas podem ser importantes ambientes de acúmulo de carbono no solo. Ao mesmo tempo, essas pastagens podem suportar taxas de lotação de bovinos de 1 a 3 UA/ha, com produtividade entre 300 e 1.000 kg de ganho de peso/ha/ano, de forma sustentável.

Neste ponto, torna-se evidente a convergência entre a sustentabilidade e os resultados econômicos dos sistemas de produção. A criação de bovinos em pastagens nessas condições implica melhoria no desempenho produtivo e nos coeficientes técnicos, como aumento na taxa de natalidade, redução na taxa de mortalidade, aumento no ganho de peso, redução da idade ao abate e maior produção de carne por área (@/ha).

Avaliando-se sob este aspecto, devido ao enorme potencial das pastagens em absorver carbono da atmosfera, os sistemas de pecuária de corte no Brasil apresentam grande potencial na redução da emissão de metano, podendo inclusive agregar valor à atividade pecuária, atualmente tão criticada pelos seus impactos ambientais.

Fonte: Rural Centro