Encontro discute contrabando de agrotóxico

Encontro em Campo Grande discute contrabando de agrotóxico

Principal preocupação é contrabando de produtos provenientes da China.

Brasil é um dos país que mais consomem agrotóxicos, diz pesquisa.

Na propriedade de cinco hectares, em Campo Grande, Antônio cultiva legumes. São nove estufas. Há cinco meses iniciou o processo para certificar a produção com o selo de produto orgânico.

“O período mínimo de adaptação seria um ano, então, se fizer tudo certo, a gente certifica. Senão, no máximo em cinco anos, a gente tem para mudar para orgânico”, disse o produtor.

A mudança é gradual. Hoje grande parte da produção ainda recebe a aplicação de defensivos agrícolas. É o caso dessas estufas com tomate cereja e pepino japonês. Por isso, o manuseio de agrotóxicos é feito com todo o cuidado.

O funcionário de antônio usa todos os equipamentos de segurança: roupa especial, máscara, proteção para os olhos, luvas. Dispositivos que evitam o contato com o veneno tanto na mistura quanto na aplicação do produto.

“Depois que a gente esvazia as embalagens, são feitas três lavagens, são perfuradas e encaminhadas para reciclagem, tipo lixão”.

O Brasil é um dos países que mais consomem agrotóxicos. Só em 2010 o mercado foi de US$ 7,3 bilhões. Um encontro na Capital de Mato Grosso do Sul reúne representantes das secretarias estaduais de agricultura de todo o País e do governo federal. A ideia é tentar unificar o uso dos defensivos durante todo o processo. A opinião de muitos palestrantes é de que é possível usar agrotóxicos com consciência ambiental,

“O interesse é o uso correto e seguro, então, para quem receita, o engenheiro ambiental ou agrônomo, ele tem que estar acompanhando este diagnóstico, esta aplicação”, disse a fiscal do setor de agrotóxicos da Agência Estadual de Defesa Sanitária, Animal e Vegetal, Vera Lúcia Pereira.

Em Mato Grosso do Sul, 27 profissionais fiscalizam o processo, desde a compra até o descarte das embalagens. Uma das preocupações é combater a venda de produtos contrabandeados. Estima-se que até 9% dos defensivos comercializados no Brasil não têm registro. O desafio é tentar evitar a entrada desses produtos que, na maioria dos casos, vem da China e chega ao país pelas fronteiras com o Uruguai e o Paraguai.

“Nós estamos trabalhando, já que a China cresceu muito neste mercado, para ela parar de exportar exageradamente para esses países. Tem um produto, que pesquisamos, que a importação de um ano deste produto no Paraguai daria para usar por 139 anos. O que mostra uma importação exagerada para mercado pequeno, cuja intenção básica, é exportar para o Brasil”, disse José Roberto de Ros, vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agropecuária.

Fonte: G1 MS