La Niña mais fraco deve favorecer recuperação das pastagens no Rio Grande do Sul

Previsão de chuva regular para março traz alento à pecuária de leite

A partir de março, a previsão é de chuva regular. Esse novo cenário trazido pelo enfraquecimento do fenômeno La Niña representa uma possibilidade de recuperação para o campo gaúcho. A pecuária de leite deve ser a mais favorecida pela alteração no quadro, devido à recomposição das pastagens.

— A chuva é fundamental para a recuperação do pasto, principalmente para cerca de 160 mil produtores de leite — afirma o diretor técnico da Emater, Gervásio Paulus.

Mas a precipitação também pode dar novo vigor a cerca de 10% de soja plantada no tarde (último período de plantio regular) na Serra.

Em 10 de fevereiro, a meteorologia já havia diagnosticado um enfraquecimento do La Niña, mas ainda apontava a manutenção do fenômeno até maio. Na última quinzena, porém, as análises passaram a mostrar que a área de resfriamento no Oceano Pacífico diminuiu. Segundo a meteorologista Estael Sias, o Estado está em período de transição.

— Dizer que La Niña terminou ainda é cedo. O fenômeno acaba primeiro no oceano, depois a atmosfera leva cerca de 20 a 30 dias para atingir a neutralidade – afirma a especialista.

Outro fator que colabora para o retorno da normalidade é o aumento da temperatura do Oceano Atlântico.

Segundo Glauco Freitas, meteorologista da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), o aquecimento do oceano na costa traz umidade e fortalece as nuvens, causando chuva mais intensa no Rio Grande do Sul. Para os próximos meses, o meteorologista prevê que o volume fique dentro da normalidade.

Na sexta, dia 24, em nota técnica, a Fepagro comunicou que a chuva da última semana favoreceu o rebrote de pastagem, mas alertou para o planejamento da colheita de arroz, já que a umidade, associada a altas temperaturas, favorece a ocorrência de doenças que podem reduzir a qualidade do grão.

ZERO HORA