MS pode importar cerca de 50 mil toneladas de soja boliviana

Com a divulgação das regras para importação de soja boliviana, feita nessa terça (2) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o Brasil já pode adquirir 50 mil toneladas da oleaginosa do país vizinho. A soja começa a ser colhida na Bolívia entre 15 de outubro e 15 de novembro e o volume deve chegar a 500 mil toneladas, totalizando 1,8 milhões de toneladas do grão produzidos nas duas safras. Da safra de inverno, 220 mil toneladas serão destinadas para produção de sementes.

Mato Grosso do Sul importa soja porque, diante da alta da soja no mercado interno e impulsionada pela demanda externa aquecida, o preço do grão pago aos países vizinhos é mais atrativos. “Outro fator que atraiu o interesse da importacao da soja boliviana foi a quebra de 20% na safra da soja em nosso Estado. Porém, a resolução do MAPA demorou a sair. Estamos numa negociação há dois meses, quando declaramos que tínhamos interesse em 300 mil toneladas. A liberação da importação deve aquecer as negociações para os próximos anos”, analisa o consultor da Granos Corretora, Carlos Ronaldo Dávalos. Em função do pequeno volume das transações que poderão ser feitas esse ano, o consultor acredita que os preços não devem impactar no cenário de preço da soja no Mato Grosso do Sul.

Para os próximos anos, a entrada da Bolívia na importação do produto vai influenciar nos preços pagos pelas indústrias no Estado. “A soja é um dos principais insumos da ração na avicultura e suinocultura, atividades que estavam amargando custos elevados em função da alta do grão. Com preços menores, essas cadeias ganham competitividade, aumentam sua produção e, por conseqüência, a demanda de soja. Todos saem ganhando”, enfatiza o presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja/MS), Almir Dalpasquale.

A Instrução Normativa (IN) nº 21 publicada pelo Mapa aponta os requisitos fitossanitários para importação de grãos, com rigor para que a soja esteja livre de restos vegetais, impurezas e material de solo. A importação deverá contar com Certificado Fitossanitário (CF), emitido pela Organização Nacional de Proteção Fitossanitária (ONPF) do país exportador, e com a Declaração Adicional (DA) de “livre da praga Botrytis fabae”. O produto também deve passar por Inspeção Fitossanitária feita por laboratórios da Rede Nacional de Laboratórios Agropecuários (Lanagro).

O engenheiro agrônomo e assessor técnico da Federação de Agricultura e Pecuária (Famasul), Lucas Galvan, explica que as regras adotadas pelo Mapa garantem a fitosanidade da produção sul-mato-grossense. “São medidas preventivas para evitar a contaminação da lavoura por pragas e doenças e garantir assim a qualidade da soja. É uma segurança para o produtor”, complementa Lucas.

Fonte: Sato Comunicação