Nasce a primeira potra de proveta do Brasil

Potrinha da raça quarto-de milha foi reproduzida por uma técnica nunca antes utilizada pela equinocultura brasileira

A In Vitro Clonagem, empresa de genética de Mogi Mirim (SP), acaba de comunicar outro avanço fantástico na área da tecnologia reprodutiva. Como os leitores estão lembrados, foi a In Vitro que produziu o clone do lendário cavalo mangalarga Turbante JO, cuja notícia foi publicada em Globo Rural pela primeira vez há cerca de um mês e que teve uma repercussão estrondosa.

Perla Fleury, médica-veterinária e diretora da In Vitro Clonagem, informa que nasceu anteontem (23/10), uma potrinha da raça quarto-de milha por uma técnica nunca antes utilizada pela equinocultura brasileira. É a chamada ICSI (Injeção Intracitoplasmatica de Espermatozóide), “usada somente na medicina para produção de bebês de proveta.” A potrinha é filha da égua quarto-de-milha Missin Tammy. “Conseguimos obter óvulos dela após a sua morte. Esses óvulos foram enviados ao nosso laboratório, onde fizemos a ICSI utilizando um único espermatozóide do garanhão Corona Firebal”, relata Perla.

Segundo ela, o espermatozóide foi injetado no óvulo “e resultou na fecundação de um embriãozinho que, após sete dias de cultivo, foi transferido para uma égua receptora (mãe de aluguel).” A veterinária participou de todo o processo. Traduzindo tudo isso, enfatiza Perla: “Acaba de nascer a primeira potra de proveta do Brasil.”

Esta técnica permite obter gestacão de éguas que não produzem mais embrião pelas técnicas tradicionais de reprodução. São fêmeas de alto padrão. Algumas, após sua morte, caso de Missin Tammy, têm os ovários levados até o laboratório da In Vitro. Segundo Perla, existem diversos potros e potras nascidos no exterior por meio dessa técnica, mas no Brasil ela é aplicada de forma pioneira. “Acrescento que a técnica pode também ser recomendada para se obter filhos de garanhões com baixa qualidade de sêmen, uma vez que só precisamos de um espermatozóide.”

O proprietário da potrinha “feita em laboratório” e que recebeu o nome Everlasting (perpétua, eterna) Tammy é o paulista Haras Rosa dos Ventos, da criadora Fernanda Rosa.

Fonte: Revista Globo Rural On Line

Everlasting Tammy trotando ao lado da mãe de aluguel (Foto: Digulgação/In Vitro Clonagem)