Plano Nacional de Agroecologia deve ser lançado em setembro

O Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo) tem lançamento prometido para setembro, no entanto, o governo federal ainda não definiu o volume de recursos que será disponiblizado para investir em produção, pesquisa e comercialização de alimentos orgânicos. Os produtores acreditam que o Planapo vai ajudar a popularizar o setor e reduzir os preços ao consumidor.

O valor final está em formatação, mas posso adiantar que vai ser um valor considerável. Vai ser um recurso significativo que a União está disposta a investir e a gente tem a intenção de, ainda em setembro, fazer o lançamento – afirma o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas.

Há seis anos, Hermes Jannuzzi produz vinte culturas diferentes de alimentos orgânicos. Na área de três hectares e meio, tudo é feito da forma mais natural possível. O produtor economiza no uso de agrotóxicos e mecanização, mas gasta muito mais com funcionários: são dez, no total, um número elevadíssimo para o tamanho da lavoura, comparado-se a uma produção convencional, que utilizaria apenas três trabalhadores.

Hoje para você ser agricultor orgânico é muito penoso. Falta incentivo dos governos para assistência técnica, questões tributárias nas vendas dos produtos, locações de pontos de venda – relata Jannuzzi.

Com retorno financeiro abaixo do esperado, o agricultor aguarda ansioso a aprovação do Planapo.

Ele é positivo, vai dar um impulso à agricultura orgânica porque vai resolver uma série de problema para nós – espera o agricultor.

Aprovado no início de junho, o Planapo ainda precisa da sanção presidencial para entrar em vigor. Basicamente, o plano vai trabalhar em quatro áreas: ampliação e fortalecimento da produção, conservação e uso dos recursos naturais de forma sustentável, conhecimento e pesquisa, e comercialização.

O plano ele está todo fundamentado em metas até 2015, porque a proposta é que ele fique em articulação com o Plano Plurianual de Governo – explica Rogério Dias, coordenador de Agroecologia do Ministério da Agricultura.

O plano também pretende reduzir o valor dos produtos para o consumidor e, assim, aumentar a comercialização dos orgânicos, que hoje representa cerca de 5% do total de alimentos vendidos no país. Além disso, a proposta deve fomentar o setor. Segundo o Ministério da Agricultura, hoje são, aproximadamente, 11.500 propriedades certificadas no Brasil, 70% das quais pertencentes a agricultores familiares.

Na visão do agrônomo Flávio Costa, especialista em agroecologia, o sucesso do Planapo depende não apenas de investimentos no setor, mas de uma campanha educacional de incentivo ao consumo para toda a sociedade, aliada à uma eficiente assistência técnica ao agricultor.

Você tem que fazer um casamento entre a necessidade do consumidor junto com o processo produtivo, que aí envolve a todos os produtores – diz Costa.

Para o coordenador de Agroecologia do Ministério da Agricultura, Rogério Dias, o plano atende não somente os produtores, mas o desejo da sociedade de um ambiente mais equilibrado.

Este não é um plano só para os agricultores, é também fundamental para os consumidores. Cada vez mais a sociedade está preocupada com a qualidade do que come, com a forma que tratamos o meio ambiente, com todos os problemas das mudanças climáticas relacionadas à biodiversidade – afirma Dias.

Fonte: Canal Rural