Preço da terra em áreas rurais perde força

A alta nos preços dos imóveis rurais foi contida pela indefinição sobre as regras para a aquisição de terras por estrangeiros no Brasil. A avaliação é da consultoria Commercial Properties que diagnosticou a retração de valores, em torno de 10%, e em áreas acima de 3 mil hectares. Em Ribeirão Preto (SP), por exemplo, tradicional polo de cana-de-açúcar, houve negócios fechados por 32 mil reais, por hectare, valor 16% menor que o ano passado. Em Cascavel (PR), o preço da terra diminuiu 14%, para 25 mil reais o hectare. Em Pouso Alegre (MG), região de cultivo de grãos, café e frutas, a queda apurada pela empresa foi de 12%; em Luís Eduardo Magalhães (BA), chegou a 19%.

Uma das poucas regiões onde a consultoria apurou aumento nos preços de terras com mais de 3 mil hectares, em 2011, foi na faixa que vai de Lucas do Rio Verde (MT) a Sinop (MT), onde a alta é de 32%. Em Chapadão do Sul (MS) também houve aumento, de 27%. Segundo Aloísio Feres Barinotti, executivo da empresa, o mercado perdeu a liquidez e por isso as vendas passaram a ser realizadas com preços menores

Até agora, o ano de 2011, foi de relativa estagnação nos negócios de porte, foco de grandes investidores, muitos deles multinacionais ou fundos de investimentos. A Commercial Properties, empresa associada à multinacional americana do ramo imobiliário NAI, tem o portfólio voltado para negociações de áreas acima de 10 mil hectares. Por conta da retração, ela passou a intermediar vendas de áreas “menores”, a partir de 3 mil hectares.

Conforme Barinotti, quem manteve a compra e a venda de terras no país durante o ano foi a clientela tradicional, sobretudo produtores de soja, milho, algodão e cana mais capitalizados com os preços mais elevados dessas commodities. Eles sustentaram a pouca valorização que houve durante o ano, pois as safras colhidas por eles não os decepcionaram em rentabilidade.

Fonte: Globo Rural