Agricultor perde quase R$ 1 bi com apagão logístico

O déficit logístico no Centro-Oeste do país já impôs a agricultores e empresas ligadas ao setor da região um desembolso adicional da ordem de R$ 974 milhões para o escoamento da safra de grãos 2012/2013. Um dos maiores gargalos do setor produtivo no Brasil, o alto custo do frete será um dos destaques da pauta de debates da Bienal dos Negócios da Agricultura Brasil Central 2013, que será realizada nos dias 8 e 9 de agosto, em Cuiabá.

O evento, referência para o agronegócio no Centro-Oeste e Brasil, foi lançado por líderes rurais nesta terça-feira (18), na sede da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato). A atual dimensão da problemática logística, velha conhecida da agricultura no coração do país, e caminhos para superá-la estarão destrinchados pelo Projeto Centro-Oeste Competitivo, cujo estudo será apresentado ao setor durante a Bienal. O diagnostico é fruto do trabalho do Fórum de Entidades do Setor Produtivo do Centro-Oeste.

A programação da Bienal contempla ainda a discussão e análise de outros temas estratégicos para a agricultura, como a mão de obra no campo, a sucessão em negócios familiares e a cobrança de royalties sobre a tecnologia empregada nas lavouras.

Conceituados palestrantes conduzirão os debates em workshops temáticos nos dois dias de evento. A organização espera um público de 1 mil pessoas, incluindo produtores rurais, pesquisadores e profissionais ligados à agricultura.

A Bienal – Na segunda edição regional, o evento retorna a seu Estado nascedouro, Mato Grosso, maior e consagrado como referência em vanguarda, debate e pulverização de conhecimento no setor agrícola brasileiro. Lançada pela Famato em 2005, a Bienal dos Negócios da Agricultura tinha originalmente projeção estadual, tendo sido realizadas três edições locais. O alcance ganhou novas proporções em 2011, com a adesão das federações parceiras de Mato Grosso do Sul (Famasul), Goiás (Faeg) e Distrito Federal (Fape-DF).

É uma honra para o agricultor de Mato Grosso ser reconhecido não só pelo seu empreendedorismo e altos resultados na lavoura, mas também pelo debate qualificado de novos paradigmas, tecnologias e desafios do agronegócio no Brasil e no mundo. E a Bienal é o símbolo disso”, declara o presidente da Famato, Rui Prado, anfitrião do evento.

O vice-presidente da Faeg, Bartolomeu Barros Pereira, presente na cerimônia de lançamento, apontou a Bienal como plataforma de geração de conhecimento no campo e também de propagação das reivindicações do agronegócio brasileiro. “O evento mostra ao poder público e toda a sociedade a necessidade do país em investir no setor agrícola, mostrando gargalos na logística, na armazenagem e desafios de um setor que move a economia do Brasil e do mundo, gerando emprego e renda. O mundo está de olho no Centro-Oeste e a Bienal é uma das vitrines de nossa região”.

Frete – Levantamento feito pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) revela que agricultores do Centro-Oeste gastaram R$ 974 milhões a mais em frete para o escoamento de soja, milho e algodão somente de janeiro a maio de 2013 em comparação com o mesmo período do ano passado. Mato Grosso responde sozinho por 85% desse total (R$ 826 milhões).

Cálculos do Imea apontam que com o valor excedente seria possível asfaltar 500 quilômetros de estradas. O instituto adverte que os custos serão ainda maiores ao final de todo o escoamento da safra vigente.

Fonte: Famato