Brasil sobe uma posição em lista de países competitivos

Segundo dados divulgados ontem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) o País passou de 38º lugar em 2010 para 37º no ano passado com alta de 0,1 na nota que forma a classificação, obtendo 22,5 de um limite máximo de 100.

Segundo o Diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da federação, José Ricardo Roriz, apesar do País ter melhorado de um ano para o outro ainda ficou abaixo de nações com economias semelhantes como a Rússia que ficou em 24º lugar, a China que atingiu a 22ª posição e a Argentina como que ficou como 29ª colocada no ranking. “Falamos que a renda no Brasil cresceu mas nos países selecionados essa alta foi muito maior”.

De acordo com as informações da Fiesp os países com renda intermediária e que mais avançaram no longo-prazo (do ano de 2001 até 2011) foram Coréia do Sul, China, Rússia, Hungria, Argentina, Polônia, Indonésia e Turquia. Esses foram os países “selecionados” pela instituição para comparação com o Brasil.

Para que esses esse grupo ganhasse competitividade no intervalo de 10 anos, o aumento da produtividade da Indústria, do gasto com educação, do número de patentes e em pesquisa e desenvolvimento foram observados como importantes.

A Argentina, segundo Roriz, tem passado nos últimos anos por uma situação difícil, mas a os níveis de educação e o Produto Interno Bruto (PIB) per capta são melhores que do Brasil. ” No futuro a situação deve ser mais crítica e deve perder competitividade”.

Um outro dado comentado por ele é a alta carga tributária do País ” o governo brasileiro gasta muito e tem que recolher muitos impostos. Os países competitivos arrecadam impostos mas a população tem um retorno grande”. O especialista comentou que para nossa posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) a carga tributária deveria ser de 21,6% do PIB e é de 33,6% ” essa diferença é a eficiência”, disse.

Os dados divulgados apontam que os países selecionados tem uma participação da carga tributária nas riquezas geradas de 25,5%. Nas nações com elevado nível de competitividade – grupo que estão, entre outros Estados Unidos, Hong Kong, Singapura, Coréia do Sul, Noruega, Irlanda, Japão – essa participação é chega a 29,4% do PIB.

Indústria

Na opinião da entidade o setor industrial tem papel fundamental para um aumento do nível de competitividade do País com um crescimento do PIB per capta e do IDH. Em primeiro lugar, a indústria tem um efeito multiplicador já que cada crescimento de R$ 1 nas vendas de produtos manufaturados movimentam R$ 2,22 na economia. Além disso, o setor consegue puxar os investimentos e é um dos que origina e difunde inovações e paga melhores os salários na relação como aumento da escolaridade.

Os dados apontam que em meados da década de 1980, no período de auge do crescimento econômico brasileiro, a participação da indústria de transformação no PIB era de 27,3%, atualmente é de 13,6%. A projeção da Fiesp é que se a situação continuar estática haverá uma perda de dinamismo na indústria doméstica e essa participação será de 9,3%.

Um dos grandes “culpados” por essa crise, segundo Roriz é o câmbio que fez a indústria perder competitividade. Para ele uma taxa satisfatória estaria entre R$ 2,30 e R$ 2,50.

O especialista elogiou as ações do governo para melhorarem a economia do país, como isenção de impostos, queda da tarifa de energia, queda de juros e investimento em infraestrutura. “As ações do governo foram muito corajosas e em uma velocidade surpreendente, a direção está certa mas quanto ao câmbio ainda não”, disse.

” O nó é que temos um crescimento de renda e quem se aproveitou foram as empresas estrangeiras”, completou. Para ele, a carga tributária do investimento e da produção é muito alta enquanto o consumo não tem tanta oneração “deveria ser tributado o consumo”, disse.

Autor: DCI