CNA prevê retração na oferta de milho devido à queda de preços
Boletim mensal aconselha produtores a reduzir ritmo na comercialização de milho para evitar pressão nos preços

O boletim da CNA aponta também movimento de queda nos preços da soja no mercado interno em janeiro


A Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em seu boletim mensal sobre o mercado agropecuário, prevê que os produtores de milho devem reduzir o ritmo de comercialização neste período de colheita, para evitar uma pressão de oferta sobre os preços.

Segundo os técnicos da CNA, o bom nível de produtividade e a regularidade do ritmo da colheita derrubaram os preços do milho no mercado interno em janeiro.

O levantamento da CNA mostra que em Tupanciretã (RS) o preço do milho teve declínio de 6,3% em janeiro ante dezembro, enquanto em Sorriso (MT) a queda foi de 7,6% e, em Rio Verde (GO), de 5,7%.

Os técnicos observam que os preços do milho recuaram também no mercado internacional, pressionados pela estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) de redução de 4,2% das exportações norte-americanas do milho em fevereiro, em razão do ritmo lento de venda e da concorrência com o produto brasileiro.

O boletim da CNA aponta também movimento de queda nos preços da soja no mercado interno em janeiro, provocado pelo avanço da colheita nas principais áreas produtoras. Segundo a CNA, em Sorriso (MT), os preços da soja recuaram 21,9% na comparação com dezembro. Em Unaí (MG), a queda foi de 13,7%. Os técnicos dizem que, apesar da retração, os preços da oleaginosa estão, em média, 32% superiores aos valores em janeiro de 2012.

Eles acreditam que os preços devem permanecer na faixa de R$ 64,62/saca no Porto de Paranaguá, pois mais da metade da safra 2012/13 foi comercializada antecipadamente e o restante deve ser negociado ao longo do ano.

Algodão

Os analistas da CNA destacam o aumento de 8,2% nos preços do algodão no mês passado, em Luís Eduardo Magalhães (BA) e Campo Verde (MT), provocado pelo aumento da demanda da indústria têxtil. Segundo eles, a expectativa de uma safra 2012/13 menor e o bom desempenho das exportações favoreceram ainda mais o avanço das cotações. “Os preços internacionais também apresentaram aumento em razão de movimentos especulativos, já que os estoques mundiais estão elevados e a demanda permanece praticamente constante”, dizem os técnicos da confederação.

Café

Ao analisar o mercado de café, os especialistas da CNA indicam que, apesar da leve subida do preço do grão em janeiro em algumas regiões, as cotações são bem inferiores em relação ao mesmo período do ano passado. Em Luís Eduardo Magalhães (BA), o preço da saca caiu 32,1% em um ano. Eles lembram que a incerteza da economia mundial tem deixado os agentes de mercado receosos e elevado a volatilidade das cotações. “As preocupações com a safra da América Central e do México, que reduziu pela metade em razão do surto de ferrugem do cafeeiro, ainda não

foram suficiente para alterar a trajetória dos preços.”

Feijão

Os preços do feijão continuam em trajetória de alta. Em Unaí (MG), o feijão carioca em janeiro registrou aumento de 12,5% em relação ao mês anterior, e de 62,2% sobre o mesmo período de 2012, vendido, em média, a R$ 187,50/saca. Os técnicos comentam que a valorização observada no

mercado de feijão carioca se deve à redução do rendimento do grão por intempéries climáticas.

O mercado de feijão preto permanece quase sem alteração. O feijão preto foi comercializado a R$ 122,50/saca em Prudentópolis (PR), valor 4,3% superior ao de dezembro e 32,6% maior do que em janeiro de 2012. O abastecimento doméstico continua a ser feito com produto importado

da China e da Argentina.

Leite

Os técnicos comentam que no mercado de leite houve queda nos preços, provocada pela ocorrência de chuvas nas principais bacias leiteiras, que acelerou a recuperação das pastagens e resultou em aumento de oferta. O nível de captação do produto pelas indústrias subiu em média 2,35%. O litro do leite em Goiás foi vendido a R$ 0,905, uma queda de 2,5% em relação a dezembro. Em São Paulo, os preços recuaram 1,7% e, em Minas Gerais, 0,7%.

Boi

O aumento da oferta de animais prontos para abate e a retração da demanda, que se deve à redução nos gastos do consumidor nesses dois primeiros meses do ano, pressionaram os preços do boi gordo em janeiro, dizem os técnicos da CNA. Eles destacam o fato de que o desempenho das outras carnes (aves e suínos) segue movimento contrário e apresenta maior firmeza nos preços, devido à retração da produção.

Em Goiás a cotação do boi gordo atingiu R$ 87,59/arroba em janeiro, ligeira queda de 0,7% sobre o mês anterior. Em Minas Gerais, a queda foi de 0,3%, para R$ 88,96/arroba. Nas demais praças, os preços permaneceram praticamente estáveis.

Fonte: Globo Rural On line