Com crise no Mercosul, Brasil pode apelar para acordos bilaterais

Com o Mercosul em crise e a balança comercial brasileira enfraquecida, crescem as pressões sobre o governo brasileiro para que o Brasil negocie acordos comerciais em separado, tendo em vista a falta de perspectivas para o bloco. Uma das constatações de especialistas é que há amarras demais que prejudicam a recuperação da balança. A ideia de liberar o Brasil para fazer acordos com outros parceiros comerciais é defendida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo o diretor de desenvolvimento industrial da CNI, Carlos Abijaod, é preciso atualizar o Mercosul e valorizar mais o mercado brasileiro:

– Acreditamos que é preciso que todos os sócios tenham liberdade de fazer acordos.

O adiamento da reunião de cúpula de presidentes do Mercosul, de junho para agosto, é apenas mais um dos sinais da crise de identidade por que passa o bloco. Os paraguaios sentem-se traídos com a entrada da Venezuela no Mercosul. Já as relações entre as presidentes Dilma Rousseff e Cristina Kirchner azedaram no último encontro das duas, em Buenos Aires, em abril.

Dilma não conseguiu derrubar as barreiras impostas pelo governo argentino às exportações brasileiras. E a presidente argentina reclamou da fuga de empresas brasileiras, como a Petrobras e a Vale. O último desconforto veio com a recente estatização das concessões de linhas ferroviárias que estavam em mãos da brasileira América Latina Logística (ALL).

Para o embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), o Brasil está numa camisa de força, ao não poder negociar acordos de livre comércio com outros países sem a participação dos demais sócios do Mercosul. Ao mesmo tempo, os brasileiros são obrigados a conviver com países pouco flexíveis em termos de abertura de mercados.

– Argentina e Venezuela estão reduzindo suas importações, por causa da economia. A crise venezuelana pode piorar ainda mais, porque as vendas de petróleo aos Estados Unidos tendem a cair. Afinal, os americanos agora contam com o gás de xisto – completou o presidente da Cebri.

Fonte: O Globo