Cuidados no abate do peixe

Metódos de abate podem interferir na qualidade do carne do pescado e em seu tempo de duração na prateleira

Método de abate de peixes pode alterar a qualidade da carne

Pesquisa quer desenvolver forma industrial que mantenha as características do pescado

Embora o peixe seja descrito como uma carne de consumo no Brasil, não há regulamentação para os métodos de abate destes animais como existe para as carnes bovina e de aves. Pensando nisso, a médica veterinária Sheyla Cristina Vargas, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga, analisou em seu mestrado os métodos de abate de peixes e sua influência na qualidade da carne.

A pesquisadora queria desenvolver e descrever uma metodologia de abate para peixes em geral e analisar qual método traria menos sofrimento ao animal, o que poderia influenciar na carne que chega ao consumidor. No estudo Avaliação de Métodos de Abate sobre a Qualidade da Carne de Matrinxã (Brycon cephalus) Armazenados em Gelo, a pesquisadora realizou diversos experimentos e constatou-se que o abate por choque elétrico é mais rápido e causa um sofrimento menor ao animal.

Apesar de a qualidade da carne não ter sido afetada neste tipo de abate, o método deixou a carne mais escura, mas ainda saudável. O método do choque térmico é utilizado industrialmente e os abates por choque elétrico ou asfixia são experimentais, embora este último seja utilizado na Europa.

O peixe utilizado no estudo foi o matrinxã (Brycon cephalus). A escolha foi feita por causa de sua grande demanda comercial, mas a pesquisadora explica que é apenas uma espécie inicial e que estudos podem ser feitos com qualquer espécie, tanto de água doce quanto de água salgada. A observação foi conduzida no laboratório de aquicultura da FZEA, e foram analisados aspectos químicos, físicos e sensoriais do peixe, a fim de saber se era possível aumentar seu tempo médio de prateleira (de 15 para 21 dias para espécies de água doce) a partir do método de abate utilizado.

Para a veterinária, uma pesquisa sobre o bem-estar dos peixes é necessária, e é importante saber que os animais sentem dor e sofrem, e que isso influi na qualidade da carne que é comercializada. A pesquisadora conta que na União Europeia, não existe uma obrigatoriedade por parte da legislação em descrever as metodologias de abate de peixes. Essas informações acabam sendo divulgadas devido a entidades como a Sociedade Protetora dos Animais, que pedem esses detalhes. Assim, ela espera desenvolver uma metodologia para abate de peixes em escala industrial que melhore a qualidade da carne para o consumidor final.

Fonte: Globo Rural On line