Expectativa de recorde na segunda safra de milho no Brasil pode ser atrapalhada pelo risco de geadas antecipadas

O clima prejudicou um pouco o início da colheita de soja e plantio de milho, principalmente no Centro-Oeste, na safra 2012/2013. Porém, a partir da segunda quinzena de fevereiro as condições do tempo ficaram mais favoráveis aos trabalhos no campo, já que as chuvas aconteceram em forma de pancadas e os dias tiveram predomínio de sol. Essa situação ajudou não só na retirada da soja, como também na semeadura do milho em todo o Brasil.

Segundo dados levantados pelo agrometeorologista da Somar, Marco Antonio dos Santos, o único Estado brasileiro produtor de milho segunda safra, que está com o plantio atrasado em relação ao ano passado é o Paraná, onde até agora foi plantado 57% da área, contra 64% no mesmo período de 2012. Em Mato Grosso e Goiás a instalação das lavouras segue no ritmo esperado, já que nas fazendas mato-grossenses o plantio de milho chega a 88% da área, frente aos 85% de março passado e os agricultores goianos já plantaram 70% do grão, sendo que no ano passado o valor era de 71% nesta mesma época.

A expectativa para a segunda safra de milho deste ano é muito boa. De acordo com informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve ter uma produção 4,6% maior na safra 2012/2013, em comparação com a 2011/2012. Isso se deve em parte ao aumento de 8,5% na área plantada e a boa perspectiva de clima nos próximos meses. No entanto, os meteorologistas alertam que dois fatores climáticos podem provocar perdas no milho safrinha: a chuva e a temperatura. No caso de Goiás e Mato Grosso, o corte das chuvas antecipadamente traz prejuízos, já para os agricultores do Mato Grosso do Sul e Paraná, a principal preocupação é com a ocorrência de geadas.

O outono de 2013 será de neutralidade na atmosfera, ou seja, sem a presença do El Niño ou da La Niña. Esta condição, de um modo geral favorece a ocorrência de chuvas, mas aumenta o risco de geadas para o mês de junho. Para Mato Grosso e Goiás, a condição de clima neutro favorece o prolongamento das chuvas por conta da atuação de frentes frias, pelo menos até a primeira quinzena de abril. “O importante é ressaltar que em abril, haverá uma redução das chuvas a partir do dia 15, o que daí para frente se torna um período de risco, embora não se descarte alguns episódios muito isolados de precipitações no início de maio”, ressalta o climatologista da Somar, Paulo Etchichury.

Já no Paraná e Mato Grosso do Sul, os modelos meteorológicos indicam ondas de frio intensas logo na primeira quinzena de junho. Isso pode provocar geadas em áreas onde o milho encontra-se numa fase crítica de desenvolvimento. “Lembrando que, o inverno de 2013 não será rigoroso no Brasil, mas basta apenas uma noite de temperaturas mais baixas, para que ocorra uma geada e provoque prejuízos para toda uma região”, explica Etchichury.

Fonte: Jornal do Tempo