Exportação de couro do Brasil avança e receita diminui 6%

As exportações de couro do Brasil geraram, no acumulado de janeiro a maio, receita 6% inferior à do mesmo período do ano passado. O valor: US$ 835,9 milhões, com 11,5 milhões de peças embarcadas (8% a menos do que nos cinco meses de 2011). O menor volume de embarques à Europa, em crise, que encomenda o produto já beneficiado do País, é o motivo da queda nos valores, segundo representantes do ramo.

Embora o volume de exportações ao mercado asiático, que é o maior, tenha crescido 7% no período, o aumento não foi suficiente para reverter as perdas financeiras. “A China compra muito couro com pouco valor agregado”, explicou o presidente da Associação Brasileira dos Químicos e Técnicos da Indústria de Couro (ABQTIC), Etevaldo Zilli. A Itália, segundo maior cliente dos curtumes do Brasil, puxou a queda no volume de exportações, segundo Zilli. “A Europa, que compra o couro de maior valor agregado, importou menos”, disse.

Em maio, o volume de couro brasileiro exportado (36,5 mil toneladas) foi 2% maior do que o do mesmo mês de 2011, mas o rendimento obtido com as operações (US$ 196,3 milhões), é 4% menor. “Compraram o couro mais barato”, endossou Zilli.

Para garantir as vendas externas, em volume e preço, os curtumes têm se esforçado na captação de novos mercados, de acordo com o representante. Já há negócios firmados com empresas da Alemanha, do México e da República Dominicana. E prospecta-se clientes na Índia, na Rússia e nos Emirados Árabes.

O segmento trabalha com uma expectativa de faturamento, com exportações, de R$ 2,1 bilhões para este ano. “Houve um salto comercial em 2011 e o setor faturou quase R$ 2 bilhões”, lembrou o presidente da ABQTIC. “E as exportações de couro acabado têm aumentado”, afirmou.

Azul molhado

Entre janeiro e junho, as exportações do couro wet blue (azul molhado, que é o produto em estado semibruto) voltaram a crescer e superaram em 14% o volume registrado no mesmo período do ano passado, de acordo com o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) – que não publica a tonelagem.

O dado é contrário à tendência do segmento, que busca beneficiar o couro no País. Em 2000, menos de 20% das exportações, em valores financeiros, eram de produto beneficiado. “A partir de 2002, a exportação de wet blue foi decaindo. Hoje, [o tipo semi-bruto] representa, em cifras, 28% do total embarcado”, disse Zilli.

O couro acabado representa, atualmente, quase 60% do valor obtido com exportações, segundo o especialista. Mas as vendas do tipo crust (semiacabado) ao mercado externo, que pesariam à favor da balança comercial brasileira, caíram 53% nos cinco meses avaliados pela CICB.

Destinos

Os principais destinos dos produtos brasileiros são, nesta ordem, China e Hong-Kong, Itália e Estados Unidos, que representaram, aproximadamente, 67% do valor das mercadorias embarcadas neste ano. Os estados do Rio Grande do Sul e São Paulo foram os principais estados exportadores de couros com, aproximadamente, 40% de participação.

“A crise da Europa está freando o crescimento das exportações do couro brasileiro. Por outro lado, espera-se que as vendas para os Estados Unidos e a China venham a ser incrementadas, bem como as para outros países que estão surgindo como importantes parceiros, como Hungria, Tailândia e Uruguai”, escreveu, em uma análise enviada ao DCI, o presidente da CICB, José Fernando Bello.

O Brasil deve produzir 40 milhões de peças de couro neste ano, com uma ” redução suave” de volume, de acordo com estimativa da Associação das Indústrias de Curtumes do Rio Grande do Sul (AICSul).

Fonte: DCI