Manifestações e conflitos indígenas são tema da 42ª Expobel

Durante o discurso de abertura da 42ª Exposição Agropecuária de Bela Vista (Expobel), que aconteceu na sexta-feira (12), o presidente do Sindicato Rural do município, Marcelo Loureiro de Almeida, fez uma reflexão sobre as manifestações populares que ganharam as ruas do país nos últimos dias e falou sobre as questões fundiárias – situação que vem gerando polêmica e insegurança na classe produtora de Mato Grosso do Sul.

Para Loureiro, as manifestações refletem a insatisfação da população com poder público. “A principal exigência do povo, é o fim da corrupção e o fim do abuso de poder – dois males que assolam este país e atrasam seu desenvolvimento”, disse.

No que diz respeito às questões fundiárias, Loureiro citou o caso Raposa Serra do Sol como um exemplo fracassado da demarcação de terras no Brasil.

Não queremos em Mato Grosso do Sul, e nos outros seis estados brasileiros que passam pelos mesmos problemas de invasões e conflitos indígenas, um segundo episódio da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, onde produtores tiveram que abandonar suas terras e os índios continuam em situação de miséria. Muitos deixaram a reserva e migraram para a periferia de Boa Vista, moram em favelas e lixões (…) os índios que permanecem na reserva não têm recursos, muito menos recebem assistência técnica para expandir suas pequenas lavouras. A verdade é que mal conseguem produzir para própria subsistência (…) O caso Raposa Serra do Sol foi um erro que não pode ser repetido”.

Segundo Loureiro, os povos indígenas evoluíram e não vivem mais como seus antepassados, da caça e da pesca. “É preciso criar medidas para emancipar os índios e torná-los dignos em sua sobrevivência. Infelizmente, no Brasil, a política destinada a essa população é a política do assistencialismo, que promove a miséria e elege a corrupção, agredindo os princípios de dignidade humana (…) As populações indígenas não precisam simplesmente de mais terras. Precisam é ter os mesmos direitos e deveres que todos os cidadãos têm. É preciso garantir aos índios acesso à educação, saúde e qualidade de vida. Isso, sim, é direito, justiça e respeito”.

O vice-presidente da Famasul, Nilton Pickler, comentou que a Federação tem mais de 80 processos em trâmite contra a Fundação Nacional do Índio (Funai). “Estamos lutando para que o governo federal resolva essa questão da demarcação de terras, uma vez que foi o próprio governo que gerou o problema quando criou a Funai”, disse Pickler.

O deputado estadual Márcio Monteiro (PSDB) ressaltou a importância do fortalecimento da classe produtora por meio dos sindicatos. “É importante que os produtores estejam unidos e preparados para enfrentar esses problemas de insegurança jurídica causados pelas questões indígenas. As entidades representativas são a ferramenta que temos para nos fortalecer”, finalizou o deputado.

Também participaram da solenidade de abertura da 42ª Expobel, o Superintendente Federal da Agricultura em Mato Grosso do Sul, Orlando Baez e o chefe da Gestoria de Defesa Sanitária Animal da Iagro, Rubens de Castro Rondon, que representou a diretora-presidente da Iagro, Maria Cristina Carrijo.

O evento – A Expobel começou na sexta-feira (12) e vai até o dia 21 de julho, no Parque de Exposições Rio Apa, em Bela Vista. Este ano, a Expobel completa 42 anos de tradição e bons negócios. A exposição é considerada uma das cinco feiras mais importantes do segmento no estado.

Além da exposição de gado, máquinas e implementos agrícolas, a 42ª Expobel conta com barracas típicas, laçadas, rodeios, shows, desfile e julgamento de raças. As grandes atrações deste ano são os shows das duplas sertanejas Henrique e Diego, Cácio e Marcos e a cantora Duda Marques.

Programação – A Programação da Expobel está disponível no site do Sindicato Rural (www.sindicatoruraldebelavista.com.br). O público também pode acompanhar as novidades da festa através do facebook (https://www.facebook.com/sindicato.rural).

Fonte: Assessoria de Imprensa do Sindicato Rural de Bela Vista