Produtores já se previnem contra ferrugem asiática

Em muitas fazendas em Mato Grosso do Sul a lavoura de soja já foi semeada. Na propriedade do produtor rural Claúdio Guerra, em Dourados, as plantadeiras entraram no campo já no mês de outubro. Para esta safra, o pecuarista escolheu sete cultivares diferentes que distribuiu em mil hectares e a previsão é que a colheita seja boa, de aproximadamente 60 sacas por hectare. Para garantir os resultados, ele já fez a programação das aplicações dos fungicidas contra a ferrugem asiática.

Para o agricultor, a ferrugem já não representa tantos riscos para a lavoura como há dez anos, quando a doença foi registrada no Brasil. No entanto, ele lembra que o monitoramento e o cuidado com o parecimento da praga na plantação devem estar sempre em primeiro lugar.

Os casos da doença estão mais controlados em Mato Grosso do Sul por causa do Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja, implantado no estado há cinco anos. A principal ação estabelecida pelo programa é a época do vazio sanitário, que contribui muito para a diminuição dos casos.

Na safra 2006/2007 o estado chegou a registrar 613 focos da praga. Nos anos seguintes a incidência da doença começou a cair. Na última safra foram registrados 46 focos da ferrugem asiática.

O agrônomo Bruno Tomasini afirma que os pontos escuros da ferrugem aparecem primeiro nas folhas e depois a formação dos grãos. Um dos motivos para a rápida proliferação é por que a doença se espalha pelo vento.

O agrônomo alerta ainda que, mesmo com todas as medidas preventivas contra a ferrugem asiática, é necessário ficar atento durante a escolha e aplicação dos fungicidas. O ideal é fazer no inicio do período de floração da soja, que nesta safra deve ocorrer entre o final de novembro e a primeira quinzena de dezembro no estado.

Dicas

Segundo os especialistas, as condições climáticas também são importantes para a absorção do fungicida. Para que a aplicação tenha um bom resultado o recomendado é que seja feito no inicio da manhã ou no final da tarde porque nestes períodos a umidade do ar é maior e permite que o fungicida seja absorvido melhor pela planta.

O intervalo entre a primeira e a segunda aplicação deve ser de três semanas. Já entre a segunda e a terceira aplicação deve ser de duas semanas.

Para que o fungo não desenvolva resistência ao fungicida, o pesquisador Alexandre Roese alerta para a troca do produto por área e também para a associação dos componentes químicos do fungicida.

Para evitar que o fungo que causa a ferrugem se torne resistente é importante que em cada aplicação do fungicida o produtor escolha um que tenha a combinação de um triazol e um estrobilurina”, explicou o pesquisador.

Fonte: G1