Recuperação das nascentes melhora qualidade de vida do produtor

Com resultados que transformam a vida não só dos agricultores, mas também dos animais que vivem em uma pequena propriedade, o projeto Recuperação das Nascentes tem sido implantado em várias comunidades de Alto Araguaia, Alto Garças, Alto Taquari, Guiratinga, Itiquira, Pedra Preta, Poxoréu, Rondonópolis, São José do Povo e Tesouro. Este é um exemplo positivo para ser mostrado no Dia Mundial das Águas que é comemorado nesta sexta-feira (22).

Idealizado pela cooperativa Sicredi Sul e com a parceria de várias outras entidades, o projeto tem como objetivo buscar melhorias para recuperar as nascentes. O trabalho consiste em plantar árvores nas áreas diagnosticadas como problemáticas para preservação com fins ecológicos e econômicos. Feito isso, há monitoramento com elaboração de relatórios das localidades implantadas para promover o recobrimento mais rápido e efetivo da região contemplada. O projeto recupera em média uma nascente por mês. Nestes últimos quatro anos foram recuperadas cerca de 20 nascentes. A meta é fazer o trabalho em pelo menos mais 33 minas.

O agente da Pastoral da Terra, Baltazar Ferreira de Melo, conta que já foi procurado por produtores de Goiás e de Mato Grosso do Sul. “Vamos atendê-los na medida do possível”. Ele conta que no primeiro ano, os voluntários conscientizaram e sensibilizaram os agricultores. “Foi só em 2012 e neste início de 2013 que começamos a fazer os plantios”. O trabalho é feito em sistema de mutirão e envolve em média 30 pessoas.

Um dos primeiros beneficiados pelo Projeto, o agricultor Geraldino de Souza conta que a cerca em volta da nascente e o plantio das árvores na região aumentou o volume de água do córrego. “No verão o gado quase não tinha água para beber. Outro benefício é a qualidade. A água ficou muito mais limpa. Isso é bom para os animas”. No sitio de Geraldino foram plantadas mudas de ipê, jenipapo e aroeira.

Reflorestar as nascentes é importante para proteger e evitar que sejam soterradas pelo efeito das enxurradas. As árvores plantadas são típicas do cerrado e têm raízes profundas. Isso faz com que o solo absorva melhor a água das chuvas.

Na comunidade Bananal, em Rondonópolis, um dos beneficiados foi o agricultor Luis Nunes Faria que tem cerca de 70 cabeças de gado de corte em 90 hectares. Privilegiado, Luis tem cerca de 10 nascentes em sua propriedade. Ele conta que o pisoteio do gado na área da nascente contribuiu para a degradação. “A enxurrada também piora a situação”.

As nascentes da propriedade do produtor se encontram no rio Boruaba, que deságua no rio São Lourenço, um dos principais afluentes do pantanal mato-grossense. A cerca na propriedade também foi feita em sistema de mutirão em outubro de 2012. O agricultor organizou a área e protegeu as minas em um raio de 50 metros para evitar que os animais continuassem descendo para beber água e destruíssem a vegetação e as nascentes. Agora, ele pretende instalar tanques para fornecer água para o gado.

Outro beneficiado pelo projeto, o produtor Ademar Rodrigues Luiz de Oliveira diz que além de recuperar as nascentes, os produtores precisam instalar sistemas para fornecer água para os animais e fazer a rotação das pastagens. “É um conjunto de ações que ajudam a conservar as águas. Não podemos esquecer que a água é um bem finito”.

Fonte: Agrodebate