Tacuru e Coronel Sapucaia preparam protesto contra demarcação de terras

Protestos contra a demarcação de terras indígenas continuam na região sul do Estado. Depois que a cidade de Sete Quedas parou no último dia 8 de março quando mais de 300 tratores saíram às ruas, agora chegou a vez das classes produtoras e empresariais de Tacuru e Coronel Sapucaia se manifestarem.

Na próxima sexta-feira, dia 5, haverá carreata seguida de audiência pública na cidade de Tacuru. A concentração está marcada para as 14h, com saída do Posto Trevo. O movimento, organizado pelo Sindicato Rural do município, percorrerá a região central e bairros e será encerrado com a audiência pública na Câmara Municipal, que será coordenada pelos vereadores.

Em Coronel Sapucaia a manifestação deverá ocorrer da mesma forma, porém ainda não está confirmado se haverá carreata. A audiência pública para discutir a demarcação de terras está agendada para as 8h de sábado, dia 6, na Câmara Municipal.

Com a insegurança jurídica na região sul do estado, as terras estão desvalorizadas e muitos produtores estão deixando de trabalhar. Ninguém compra e ninguém consegue vendar fazendas. As cidades, que dependem do agronegócio, também sofrem com o desenvolvimento político-econômico.

Demarcação

O processo de demarcações na região Sul analisa três áreas, as terras indígenas Iguatemi-Pegua I, II e III. Já a Terra Indígena Iguatemi-Pegua I, com por-taria publicada, abrange área de 41,5 mil hectares, o que equivale a 14% do município de Iguatemi. Caso essas novas áreas sejam criadas, abrangerão 5% de Amambai, 25,2% de Paranhos, 28,9% de Tacuru, além de 53,1% de Coronel Sapucaia, em um total de 159,8 mil hectares.

O produtor rural Gilberto Zoller sofre com o impasse. Dos 2,9 mil hectares das suas terras, pelo menos 400 destes é pleiteado pela Funai. Já o produtor Fabiano Milanezi enfrenta uma situação ainda mais crítica. Sua propriedade fica localizada em Iguatemi e a Funai quer transformar a fazenda dele e de outros 11 vizinhos em uma Reserva Indígena de 6 mil hectares. “Eles querem a minha fazenda por completo, que é de 400 hectares”, diz o produtor.

Desde 2003 as terras de Fabiano e de seus vizinhos foram invadidas. Os índios preferem chamar de retomada de terra. “De lá para cá deixei de produzir e a terra tornou-se imprópria”, lamenta o produtor, que calcula prejuízo superior a R$ 10 milhões.

Fonte: Dourados Agora