Usina que ‘limpa’ o lixo pode ser instalada no Rio Grande do Sul

Lixo lota aterros sanitários e na maioria das vezes, é queimado, agravando a poluição das cidades

Tecnologia italiana transforma lixo doméstico em biodiesel e biogás e quer entrar no Brasil

Biodiesel, carbono, água tratada e biogás é que a empresa italiana BDF industries Spa está produzindo a partir do lixo doméstico em vários países da União Européia. A novidade, ainda pouco conhecida, em breve pode ser realidade no Brasil porque representantes da companhia estão conversando com autoridades municipais do Rio Grande do Sul para instalar uma usina deste tipo no estado.

O projeto foi apresentado em Porto Alegre pelo engenheiro da empresa italiana, Ulisses Armeni. É ele quem está conduzindo as negociações no Brasil e, caso elas avancem, a usina de lixo será financiada pelo fundos de investimentos norte-americano Applied Strategies group (ASG).

Uma usina de lixo nos moldes das que funcionam na União Européia, segundo Armeni, custam em média 12 milhões de Euros. No Brasil, porém, este custo poderá ser até 40% mais barato, já que a maioria dos componentes são fabricados no país. O retorno financeiro da usina, de acordo com o engenheiro, demora de três a cinco anos.

A tecnologia da usina italiana é diferente das demais que existem no mundo porque a emissão de poluentes é zero. Os resíduos não passam por combustão para serem transformados em energia.

A planta de processamento em escala industrial foi testada por dois anos no norte da Itália, com a cooperação de universidades, cientistas, pesquisadores e engenheiros. Hoje, a BDF Industries atende 47 cidades italianas, que juntas reúnem cerca de 135 mil habitantes. Buenos Aires, a capital argentina, já fechou contrato para construção de cinco plantas da empresa. Outras estão em fase de construção na França, Alemanha, Escócia e Iêmen.

Com mil quilos de lixo orgânico é possível produzir 350 litros de biodiesel, 330 metros cúbicos de biogás e 280 quilos de combustível sólido, como o carbono. Além disso, 140 litros de água tratada resultam do processo.

Uma planta com capacidade para processar 45 toneladas de lixo por dia (quantidade média produzida por um município de 40 mil habitantes) gera cerca de 19 mil litros de biodiesel e 16 mil metros cúbicos de biogás. Os combustíveis podem ser usados em veículos ou para geração de eletricidade, por meio de geradores. O sistema é auto-sustentável, já que a energia gerada pela usina abastece todo o processo.

A tecnologia empregada é a reestruturação molecular catalítica de resíduos orgânicos. Restos de comida, madeira, papel, plásticos, esgoto urbano e rural passam por secagem e são colocados em uma torre de reação. O resultado é um combustível líquido e outro gasoso, o biodiesel e o biogás.

Fonte: Revista Globo Rural