Agrishow: Volume de negócios ultrapassou R$ 1 bilhão

Terminou nesta sexta-feira (06/5), a 18ª Agrishow – Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação, que ocorreu no Polo Regional de Desenvolvimento Tecnológico do Centro-Leste/Centro de Cana IAC, em Ribeirão Preto (SP). A estimativa preliminar de valores negociados durante a feira indicou que o volume de vendas superou R$ 1 bilhão.

O levantamento foi feito por dois dos três bancos (Santander, Bradesco e Banco do Brasil) que intermediaram as negociações (principalmente os financiamentos) durante o evento. Segundo a organização, a feira atraiu este ano cerca de 146 mil visitantes, 765 expositores nacionais e internacionais e representantes de 45 países. Na área reservada para apresentações práticas, as “dinâmicas”, aconteceram 800 demonstrações de máquinas.

De acordo com o presidente da Agrishow, Cesário Ramalho, que também é presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), os bons resultados obtidos este ano refletem a “musculatura do agronegócio brasileiro”. Segundo ele, o momento foi oportuno devido aos números alcançados na safra 2010/11 com a colheita recorde de grãos, de 157,4 milhões de toneladas, a elevação de 7,4% do Valor Bruto de Produção (VBP), e a retomada dos investimentos do setor sucroenergético. “Tudo isso aquece os negócios de compra e venda de máquinas, implementos e equipamentos”, disse Ramalho.

Ramalho, ressaltou a expressão que o evento adquiriu este ano, do ponto de vista político. Para ele, a presença de inúmeras autoridades reafirma a importância do evento, hoje considerado o centro do agronegócio brasileiro, a vitrine desse setor no País. “Além do governador de São Paulo, tivemos a presença de três ministros, o que revela a dimensão da feira“, afirmou Ramalho referindo-se à presença dos ministros da Agricultura, Wagner Rossi, do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, e da Integração, Fernando Bezerra, que anunciou oficialmente durante a feira a criação da Secretaria Nacional de Irrigação, além do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Visitaram a Agrishow ainda cinco ministros da Agricultura do Uruguai, Argentina, Paraguai, Chile e Bolívia.

Na segunda-feira (02/5), durante a cerimônia oficial de abertura do evento, o governador Geraldo Alckmin assinou o controle de cessão da área da Fazenda Experimental (de propriedade do Estado) por mais 30 anos a partir de 2014, para a realização da Agrishow. A feira, a partir do ano que vem, será presidida por Maurílio Biaggi Filho, empresário do setor sucroenergético.

Economia

Jak Torretta, diretor do Grupo Agco para a América do Sul afirmou que o Brasil vem se tornando fundamental para empresas multinacionais de máquinas agrícolas devido ao incentivo à compra e a capitalização dos agricultores. Torretta citou ainda o programa social Mais Alimentos como grande incentivador da economia agrícola brasileira nos últimos anos, que vem impulsionando a venda de máquinas desde o ano de 2009. “Tivemos um grande salto no mercado de máquinas agrícolas a partir dos programas sociais do governo. Foi notável a movimentação econômica”, afirmou o diretor.  Uma das marcas da Agco, a Valtra, divulgou nesta sexta-feira (06/5) que registrou um crescimento de 15% nos negócios com tratores e 30% com colheitadeiras durante a feira.

Na quarta-feira (04/5), o ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Afonso Florence, visitou a feira e lançou mais duas categorias do Programa Mais Alimentos: três colheitadeiras de café e uma de cana-de-açúcar. Na ocasião, Florence entregou uma colheitadeira financiada a produtores de café de Minas Gerais.

O Mais Alimentos é um programa de financiamento do MDA que financia a compra de máquinas agrícolas para produtores rurais cadastrados no Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf). Segundo Florence, em 2010 foram destinados R$ 5 bilhões em 150 mil contratos. O ministro não informou quais as expectativas do MDA para os financiamentos em 2011, mas garantiu que o programa vai crescer. “Queremos superar este número [de R$ 5 bilhões] este ano e a pujança da agricultura brasileira vai permitir isso”, disse.

O ministro também aproveitou para tranquilizar os produtores rurais quanto a possíveis mudanças nas leis do Código Florestal, que teve a votação adiada para a semana que vem. “Não vamos deixar de dar segurança ao produtor rural, independentemente do resultado da votação. A votação não vai barrar o crescimento agrícola e nem vai ameaçar a produção”.

Pelo Mais Alimentos, os produtores podem tomar empréstimos de R$ 150 mil (individual) ou de até R$ 500 mil (coletivo) para o financiamento de máquinas agrícolas. A dívida tem carência de três anos e poderá ser quitada em sete anos.

O Brasil como uma nova e importante fronteira agrícola para o resto do mundo foi o que atraiu tantos visitantes e empresas estrangeiras na feira. “Não tem como uma empresa que atua no setor agrícola estar fora do mercado brasileiro. A América do Sul como um todo, mas principalmente o Brasil, constituem hoje o mercado mais imporante para o setor”, afirmou o presidente mundial do Grupo CNH, Andreas Klauser à GLOBO RURAL. Devido à importância da feira, Klauser, que comanda os negócios da Áustria, organizou ao redor do mundo um grupo do 1º escalão da empresa para participar do evento. “Eu quis que todos viessem conhecer de perto o que está acontecendo aqui. É fundamental que possamos estar perto do produtor rural brasileiro para entender exatamente qual é a sua demanda”, disse.

Outros setores

Com o crescimento do setor agropecuário, empresas segmentos diferenciados também aproveitaram para fazer grandes negócios na Agrishow. Já no segundo dia da feira, a Líder Aviação negociou por US$ 1,379 milhão uma aeronave Baron G58. A empresa não revelou o nome do comprador, mas afirmou que desde 2009 vem observando um constante crescimento no interesse de produtores rurais por aviões. “É uma forma de encurtar as distâncias do Brasil e o produtor rural entende isso como economia”, explicou Phillipe Fiqueiredo, diretor da empresa.

A Embraer também vem aumentando sua participação em feiras do agronegócio. Sua estrela para o campo é o Ipanema, avião movido a etanol. O avião custa em média R$ 600 mil.

Fonte: Globo Rural

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