CNA pede apoio do Banco Mundial e do BID

A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, pediu o apoio do Banco Mundial e do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para projetos destinados a erradicar a pobreza nas áreas rurais, aumentar a renda das classes C, D e E no campo e melhorar a infraestrutura para o transporte de grãos, com foco em hidrovias e portos. Durante encontros com diretores dos bancos em Washington, nos Estados Unidos, obteve sinalização positiva para possíveis parcerias. O Banco Mundial empresta mais de US$ 6 bilhões, anualmente, para projetos ligados à agricultura e segurança alimentar e o BID possui uma carteira de US$ 13 bilhões em empréstimos de baixo custo para projetos de desenvolvimento no Brasil.

Melhorar a produtividade e a renda dos pequenos agricultores foi tema constante da senadora Kátia Abreu nas reuniões com os bancos de fomento. Durante o encontro com Juergen Voegele, diretor para Agricultura do Banco Mundial, informou que “a maioria dos agricultores brasileiros está nas classes D e E”. Segundo ela, esses produtores “não conseguem produzir sequer para subsistência”. Nesses casos, explicou, “extensão rural é mais importante até do que o crédito”. A proposta apresentada pela presidente da CNA ao Banco Mundial envolve uma assistência técnica diferenciada, que inclua indicadores de cumprimento de metas e premiações. “Não basta ir a propriedade tomar café com o produtor, é preciso estabelecer compensação por tarefa alcançada”, afirmou.

Produtividade – A presidente da CNA falou, também, sobre a importância de uma nova política agrícola para o aumento da produtividade e da renda no campo. Informou que a CNA está construindo com o Governo brasileiro uma nova proposta de política agrícola, com projeções de crescimento para pequenos e médios produtores. Segundo a senadora Kátia Abreu, o aumento da produtividade no campo também está ligado à questão da segurança alimentar. “E no mundo de hoje, segurança alimentar é imprescindível para a paz”, afirmou.

O diretor do Banco Mundial discutiu com a senadora a possibilidade de estabelecer parcerias para os projetos que apresentou e afirmou que o Brasil é, hoje, exemplo para o mundo em aumento da produtividade agrícola. Segundo Juergen Voegele, o Banco tem intenção de aumentar o montante de recursos destinado a projetos de agricultura e segurança alimentar. “Em muitos países, segurança alimentar se confunde com segurança nacional”, disse o diretor.

Ele também manifestou interesse em ampliar parcerias público-privadas no Brasil para a melhoria da infraestrutura do agribusiness, uma das prioridades apresentadas pela presidente da CNA. O foco da discussão foi o desenvolvimento da logística com investimentos em hidrovias e portos. Voegele ainda convidou a senadora a ir ao Vietnã em breve para levar o exemplo do Brasil a uma conferência internacional com mais de 80 ministros de agricultura de diversos países.

Pauta semelhante foi desenvolvida pela presidente CNA, senadora Kátia Abreu, em palestra na sede do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), em Washington. A instituição sinalizou forte interesse nas propostas de investimentos em duas áreas primordiais para o agribusiness brasileiro: o desenvolvimento da infraestrutura para o transporte de grãos e projetos que favoreçam o aumento da renda das classes C, D e E no campo. Sérgio Portugal, diretor do escritório do Brasil no BID, decidiu agendar novas reuniões para aprofundar a discussão de possíveis parcerias.

Hidrovias e Portos – Com relação à melhoria da infraestrutura, a senadora Kátia Abreu afirmou ser vital a integração da logística para transporte na região do Arco Norte do País. “Nosso foco é nas hidrovias e portos, que necessitam urgentemente de investimentos”, disse a presidente da CNA. A senadora explicou que a região situada acima do paralelo 15, onde se pretende implantar as hidrovias, concentra 52% da produção de soja e milho do País, mas só consegue escoar 16% para a região norte. O restante vai para o sul e ajuda a estrangular portos como os de Santos e Paranaguá.

Queremos criar as hidrovias com uma grande parceria público-privada, e há muito espaço para a participação de um banco de fomento, como o BID, neste projeto”, afirmou a presidente da CNA. Informou que discutiu recentemente a questão do potencial das hidrovias da região do Arco Norte com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília, que ouviu as propostas com bastante interesse e a convidou para apresentar o assunto na próxima reunião do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Ao mencionar a importância do aumento da produtividade e da renda dos pequenos agricultores na reunião com representantes do BID, a senadora Kátia Abreu lembrou que “o boom da classe C brasileira está concentrado no ambiente urbano. A classe C rural precisa de ajuda”, disse. Na base dos projetos da CNA para a questão está o desafio de recuperar a fertilidade do solo nas pequenas propriedades, para possibilitar o aumento de produção sem investimento de larga escala. “A solução é investir em mecanização e fertilização”, afirmou.

O diretor do escritório do Brasil no BID, Sérgio Portugal, manifestou interesse em debater com a CNA o desenvolvimento de ações em parceria. “Todos os pontos mencionados pela senadora estão dentro de nossa atuação”, afirmou.

Fonte: CNA