Sindicato Rural de Bela Vista MS

Preço da arroba fecha outubro com retração de 5% em MS

Especialistas projetam momento de inflexão no indicador que está em tendência de baixa em 2022

RODRIGO ALMEIDA – Correio do Estado

Em um mês a arroba do boi gordo recuou 4,95% em Mato Grosso do Sul, no caso da arroba da vaca a queda é ainda maior atingindo 5,21%, segundo da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul).

No dia 3 de outubro, a arroba do boi gordo era vendida pelo produtor do Estado na faixa dos R$ 265,34, na cotação desta sexta-feira (4/11) porém, esse valor caiu para a casa dos R$ 252,82. A arroba da vaca seguiu movimento similar e saiu dos R$ 251,18 de um mês atrás para R$ 238,73 nesta sexta.

O movimento é um pouco mais tenso que o observado em âmbito nacional pelo preço mensurado do boi no mercado financeiro. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), no acumulado do mês (entre 30 de setembro e 31 de outubro), o Indicador do boi gordo CEPEA/B3 recuou quase 4%.

Segundo pesquisadores do Cepea, o bom desempenho das exportações no ano não foi suficiente para impedir que o boi gordo se desvalorizasse em outubro no mercado interno.

Segundo o economista do Sindicato Rural de Campo Grande, Corguinho e Rochedo, Staney Barbosa, no mercado agropecuário o que dita as oscilações de preço são essencialmente as condições de oferta e demanda. “Faz alguns meses que a arroba do boi gordo apresentou tendência de queda e, na sequência, estabilizou-se com algumas quedas pontuais na casa dos R$ 260/@”, comenta.

Para ele, existem diversos fatores internos e externos que nos ajudam a entender essa queda. “Um primeiro fator é interno, e reflete a perda do poder de compra dos consumidores brasileiros, forçando-os a buscar outras fontes de proteína para suprir suas necessidades energéticas, como frangos, peixes e outras carnes”, elabora.

Inflexão

Apesar de o cenário nos últimos oito ou nove meses terem demonstrado essa tendência, o economista e head de pecuária da Agrifatto, Yago Travagini, comenta que o preço da carne bovina já se mostra mais competitiva em relação ao boi gordo.

A carne bovina apresentou um nível de competitividade muito melhor em relação ao frango nos últimos dias. A diferença já chegou a 450% a 500% em relação ao frango. Hoje está em 270% perto da média histórica”, analisa.

Isso, ele comenta, acontece porque há um indicativo de valorização da arroba do boi gordo na comparação com a carcaça casada, que é uma definição mercadológica da carne bovina, na qual combinam os quartos traseiros, dianteiros e a ponta de agulha.

Esse valor é uma média ponderada dos preços do traseiro, que corresponde a 48% da carcaça; do dianteiro, com 39%, e do preço da ponta de agulha, com 13% de participação na carcaça.

Como já noticiado no Correio do Estado, em julho, o preço da arroba do boi gordo chegou a R$ 288,23, se comparado com o preço médio praticado atualmente em MS, a redução é de 12,28%.

Travagini analisa que a relação entre os dois indicadores ficaram um pouco descolados durante este ano. “A desvalorização do boi gordo acometeu de forma mais intensa a arroba, e a carcaça casada não teve desvalorização na mesma proporção. Depois de quase um ano, voltamos a ver margens mais positivas para a carcaça casada em reais por quilo”, afirma.

A conclusão é que um movimento como esse pode significar uma possível valorização da arroba, projeta o economista. “Notamos que está melhorando a fluidez, com a demanda interna de fim de ano como propulsor para o preço da carcaça do boi gordo, isso pode levar os preços para cima no curto prazo, pelo menos é o esperado por agora. Agora vamos buscar a confirmação da concretização desse cenário”, pondera.

Interno

Segundo José de Pádua, Gerente Técnico da Famasul, a expectativa para o último bimestre é que o consumo interno responda com maior firmeza, assim como o cenário desenhado pelo especialista da consultoria, e para que possa reverter a tendência de queda no preço da arroba. Ele também comenta que é provável uma desaceleração nas exportações.

As razões que justificam essa expectativa estão relacionadas aos fatores que é comum para o período: aumento de emprego com as contratações temporárias e pagamento de décimo terceiro salário, que representam maior volume de recurso na economia”, projeta.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), as exportações brasileiras de carne bovina in natura se sustentaram em nível elevado em 2022. “Tem ficado acima de 200 mil toneladas em agosto e em setembro, somou quase 190 mil toneladas em outubro”, informa a nota.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que o Brasil embarcou em outubro 188,56 mil toneladas de carne bovina in natura, queda de 7,3% frente a setembro/22, mas expressiva alta de 129,42% frente a outubro/21, período cujo os envios de carne à China, maior destino da proteína nacional, estavam suspensos, e 16% acima da de outubro/20.

Neste quesito, Pádua adverte que há possibilidade de que a oferta seja reajustada nas exportações. “Mas não acreditamos que será em intensidade capaz de reverter o bom desempenho registrado até aqui. A oferta deverá reduzir seu peso à medida que o número de animais abatidos tende a ser menor no último bimestre. Isso porque é o início da safra e não haverá ainda número significativo de animais prontos para o abate”, finaliza.